ArtigoImpulsionando a Ação Climática Justa nas Cidades Brasileiras

Impulsionando a Ação Climática Justa nas Cidades Brasileiras

As áreas urbanas ocupam um lugar central na crise climática contemporânea: consomem mais de 70% da energia produzida no planeta e respondem por mais de 60% das emissões globais de gases de efeito estufa. Ao mesmo tempo, são particularmente suscetíveis aos efeitos negativos da mudança climática, sobretudo na forma de eventos extremos cada vez mais frequentes e destrutivos.
No Brasil, a maioria absoluta da população vive nas cidades, e milhões de pessoas habitam áreas de risco. Este é um quadro que se repete em centros urbanos ao redor do mundo, sobretudo no Sul Global, com efeitos desiguais sobre segmentos vulnerabilizados da população, como mulheres, crianças, pessoas idosas, migrantes, pessoas negras e povos originários.

Frente a esses desafios, é nas cidades que uma parte significativa da ação climática deve ser planejada, implementada e monitorada. Portanto, os entes municipais assumem grande responsabilidade, pois são as autoridades mais próximas aos cidadãos e aos territórios. No entanto, a mobilização para uma agenda urbana transformadora é um esforço coletivo que deve congregar diferentes agentes estatais e não estatais, o que só pode ser plenamente alcançado por meio do fortalecimento
de uma governança multinível e participativa.

Em anos recentes, o Brasil vem buscando promover maior articulação e incidência às suas estratégias de política climática na dimensão nacional.

Esforços importantes foram feitos para atualizar e ampliar os compromissos climáticos, qualificar as soluções de mitigação e adaptação e incorporar as perspectivas subnacionais no desenho e implementação das iniciativas de combate às mudanças climáticas. Contudo, ainda há muitos passos que precisam ser dados, que exigem compromisso e colaboração de múltiplos atores.

O Instituto ZeroCem, com apoio do Instituto Clima e Sociedade (iCS), se soma a essa mobilização com o objetivo específico de impulsionar as iniciativas climáticas orientadas para os contextos urbanos.

 

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O Contexto Urbano Brasileiro

Para promover ações transformadoras a nível local, o Brasil deve construir um novo paradigma de desenvolvimento urbano, capaz de responder simultaneamente aos desafios da emergência climática e às desigualdades históricas que marcam o território nacional. Com mais de 87% da população vivendo em áreas urbanas (IBGE, 2023), o país expressa de forma intensa as contradições e potencialidades do fenômeno urbano contemporâneo: de um lado, concentra a maior parte da atividade econômica, da inovação e da produção de políticas públicas; de outro, carrega as marcas da vulnerabilidade socioambiental, da segregação territorial e da desigualdade no acesso a direitos básicos.

A compreensão desse contexto é essencial para o fortalecimento de políticas climáticas justas e efetivas. A urbanização brasileira ocorreu de modo acelerado e desigual, resultando em um mosaico de cidades que variam entre grandes metrópoles, médias cidades regionais e pequenos centros urbanos com fortes vínculos rurais — tipologias que refletem diferentes capacidades institucionais, econômicas, assim como dinâmicas ambientais (Ministério das Cidades, 2025).

Essa diversidade territorial evidencia que as respostas à crise climática precisam ser pensadas de forma contextualizada, respeitando as especificidades locais e as dinâmicas regionais.

Nô ambito das dinâmicas urbanas e socioespaciais brasileiras é importante destacar que o termo “cidade” não se circunscreve, necessariamente, ao território delimitado pelo “município”. Segundo o Ministério das Cidades (2025), a cidade é compreendida como uma unidade territorial funcional definida pelas interações socioespaciais e econômicas que estruturam o cotidiano da população. Desse modo, uma cidade pode corresponder a um único município ou pode ser formada por mais de um município com forte integração entre si. Essas relações socioespaciais são fundamentais para qualificar a exposição e a vulnerabilidade das cidades a riscos climáticos, bem como para a busca de definição conjunta, ou não, de arranjos institucionais e ações de adaptação e mitigação entre os municípios.

No contexto de emergência climática, o país enfrenta um cenário crescente de eventos climáticos extremos — enchentes, secas, deslizamentos e ondas de calor — que, apenas em 2024, provocaram R$ 45 bilhões em perdas econômicas e impactaram diretamente 8,9 milhões de pessoas (CNM, 2024). Esses números revelam a urgência de fortalecer a governança federativa, a integração de dados e a capacidade de resposta dos municípios frente aos riscos climáticos.

A seção O Contexto Urbano Brasileiro apresenta esse panorama a partir de infográficos e mapas temáticos, que sintetizam as principais tendências e vulnerabilidades urbanas do país.

Ao combinar dados populacionais, econômicos e ambientais, busca-se oferecer uma leitura integrada sobre os territórios urbanos brasileiros e suas dinâmicas socioespaciais, orientando o planejamento de ações subnacionais voltadas à transição para cidades mais justas, resilientes e de baixo carbono.

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